quarta-feira, março 22, 2017

Eu fuxico, tu fuxicas, eles e elas fuxicam

Pera ainda. Não precisa se sentir nu(a) achando que te descobri já que estas aqui me fuxicando sem nem me conhecer. Acontece com todo mundo e eu tenho certeza absoluta que todos que atravessaram a adolescência com a internet no ar tinindo vivem isso, em escalas diferentes, é verdade, mas todos vivem. O lance é que uns têm a sorte de não serem flagrados ou apenas guardam como segredo de 7 chaves e outros não. Outros entendem que o mundo das redes é aberto. A gente troca informação o tempo todo, com conhecidos ou não e fim. 

Não acredito em uma só pessoa que fale que não fuxica redes sociais alheias. Essas, pra mim, são as que mais fazem isso. Fazem mas acham mais legal quem não faz e querem ser essas pessoas ai que não são. E não são apenas porque não existem essas pessoas no mundo em que vivemos, simples assim. Mas a gente nem pensa muito nisso e jura que existe essa pessoa que nunca entrou em nada de ninguém e que o mais legal é ser essa pessoa que as pessoas fingem que são: nem aí. Zero curiosa. Zero dentro de um momento de procrastinação a ponto de pegar o celular e rolar a barrinha pra baixo e pra cima na rede social de qualquer ser humano, só por olhar mesmo. Conhecido ou não. A pessoa é ocupada demais ou o contrário: desligada demais pra isso. A Beyonce me parece alguém bem ocupada e vejo ela sentadinha na privada com seu smartphone gastando uns bons minutos nos instas da galera, ai vem a turma querer enganar quem. 

O que não entendo é o motivo disso ainda ser uma questão. Estamos em 2017, com diversas redes sociais que foram criadas para interação com conhecidos e desconhecidos - ou não existiria a opção de deixar as postagens públicas e que a maioria da minha rede, ao menos, deixa - e ainda tem gente com vergonha de assumir que dá aquela olhadinha marota para além dos próprios contatos. Seja por buscasde notícias/imagens/referências ou por algo bobo como curiosidade ou passa tempo qualquer.

Aquele cara que escreve bem pacas. Aquela mana cheia de boas reflexões. Aquela marca preferida e a espera por uma promoção. Aquelas fotos foda que você fica babando. Aquelas várias pessoas que são referências de vida. Uma página de receita. A vida de um famoso. Paqueras de amigx, amigx de amigx que a gente queria ser amigo, amigx dx boyzinhx. Tenho certeza que todo mundo que tem internet em celular, em algum grau, cai nessa rede. Estou completando 1 ano de smartphone na vida. É pouco tempo. É quase inacreditável mas é verdade. E desde então sou essa pessoa também.

Eu, aqui, assumo que adoro ver os famosos (risos choros). A Debora Nascimento é bem maravilhosa. A Camila Pitanga também. Pegaria o Fiuk fácil mas não contaria pra ninguém. O Humberto Carrão eu só parei de seguir quando ele comprou três piriguetes da promoção no carnaval e me deu uma e eu nem quis - me ofereceu não porque sou especial mas porque não tinha mais ninguém de amigo ao lado dele - e então soube que ele é amigo dos amigos que fizeram Aquarius e que assim ele não é um famoso impossível e senti meio que como uma traição na brincadeira de: que famoso você pegaria? ele poderia entrar na brincadeira (só na versão barba) mas ai é sacanagem, estaria competindo com Scarlett Johansson, não é justo, nem no nível de escolha (óbvio) e nem no nível de quão impossível isso seria? Ai parei de seguir. Decidi que é traição incluí-lo na brincadeira e continuar seguindo. Uma coisa ou outra.

Tu olha o instagram alheio se cagando de medo de apertar coração sem querer que eu sei. Não sou muito cuidadosa com isso e já dei corações sem querer e tá tudo bem. É raro mas acontece quando to quase cochilando. Eu to quase cochilando e sei que vou dar coração. E vai continuar sendo assim porque é quando mais curto ficar de bobeira olhando qualquer coisa. Acho lindo quando me dão coração que sei que foi obviamente sem querer e que não queriam ter dado de forma alguma e penso: aaaannnn seguido de um kct, a pessoa tá louca agora. Também já dei coração pensando PQP CARALHO. Já soube até que mentiram que dei coração sem ter dado - e não podia ter dado mesmo porque na época nem smatphone eu tinha. E descobri também que as pessoas têm essa tara de inventarem que deram coração pra elas sem isso ser verdade pra ganharem atenção. Ou uma intriguinha. Isso me parece muito absurdo mas só acredito que é verdade porque me aconteceu. Salvo se tiverem mentido pra mim que a pessoa inventou isso pra criar uma intriga em cima da intriga. Ai já é uma loucura que prefiro nem pensar na possibilidade. Mas que deve existir também. Existe mais coisa na internet que no mundo real.

A bronca não é fuxicar, viajar na maionese, ir parar em mundos muito loucos. A bronca é se isso te afeta e não acaba ali. Segue com você mesmo depois que fecha o aplicativo. É saber a hora de parar e mudar a rota quando percebe que aquele fuxico deu um alerta vermelho CORRE e ultrapassou entretenimento. Nossa geração da beira dos 30, pra pouco mais ou pouco menos, podia só encarar isso sem bobeira. Não causando danos e nem infernizando a sí e nem ninguém, pra que esse mistério, sim?

Bora parar de fingir que todo mundo aqui é viciado em internet mas só entra pra ler notícias, pedir jobs e compartilhar memes.

sexta-feira, março 17, 2017

Ontem eu aprendi que não existe relacionamento aberto ao pé da letra tal qual eu achava que vivia. Dei uma golada dupla na cerveja, parei de respirar por alguns segundos e arregalei bem os olhos pra não perder nada daquele momento.

O relacionamento é fechado. Com liberdade, sim. Sem reprimir desejos externos, sim. Não tem relação com razões contrárias à isso. É fechado por ter fechamento entre os envolvidos, parceria, amor, tesão e aquelas tantas coisas que só quem vive dia a dia sabe e não importa a mais ninguém. Aberto? Ele não é aberto a opiniões e olhares julgadores de fora. Pra você e ele meterem o bedelho e dizerem como é o jeito certo, como é o jeito errado. Jeitinho é coisa muito particular. 

Ficar com outras pessoas não é o que define o relacionamento dito como aberto que foi escolhido por dois - ou por mais. Monogamia não é apenas o que pauta um relacionamento dito como fechado. Ou seria triste demais, tão raso. Aberto: pode ficar. Fechado: não pode. Preto no branco. 

Esses dias se surpreenderam e acharam que, por terem me visto beijando outro rapaz no meio do carnaval, eu tava em outra, ih, já era! Avaliem: meu relacionamento estaria fadado ao fracasso por conta de uns beijos. E ironicamente foi justo no momento de reencontro em que ele nunca esteve tão conectado e vivo em toda sua existência em pouco mais de um ano. Talvez tenham pensado isso porque sou mulher. Talvez se tivessem visto ele com alguém teriam apenas concluído: é só pegação sem importância, como tantas outras. O machismo nosso de cada dia.

Somos todos mais fundos que essas pequenas convenções sociais e entender isso é seguir adiante avaliando que as escolhas são feitas, os combinados são conversados, a confiança é regada e enquanto o coração tiver gordinho e a cabeça sã, tá tudo bem. É só isso que consigo sentir: tá tudo bem.

Eu gosto quando eu escuto mais do que falo.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Quando um sonho atravessa a realidade e a gente acorda sem saber se matou a saudade ou se ela só aumentou.

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Bagunça

Ano passado meu quarto tava uma bagunça pré-carnaval. Pra te encontrar na Urca,  eu precisava antes arrumar tudo, pois viajaria no outro dia pra Recife. Você me ensinou como fazer isso de maneira ideal: pegue apenas um item e leve ele ao seu local correto. Não pegue vários e vá distribuindo. Precisa ser um por um, até que tudo esteja no lugar. 

-Mas e se tiverem cinco livros espalhados, posso pegar todos de uma vez já que é a mesma prateleira? 
- Não, um por um. A gente precisa dar atenção a cada coisa pra não se perder. 

Segui tua dica. Deu mais trabalho, talvez tenha levado mais tempo que o habitual mas no fim as coisas estavam mais organizadas do que nunca e minha cabeça não ficou confusa durante o processo.

Hoje é pré-carnaval novamente e a bagunça do meu quarto nesse período de fantasias mantém a tradição. Lembrei da tua dica. Peguei um top e fui guardar no armário. Travei na frente da porta e só consegui pensar que essa teoria talvez caiba muito bem pra arrumar as bagunças do lado de dentro. Dando atenção a cada item. Item por item. Um item por vez. Talvez dê mais trabalho, talvez leve mais tempo que o habitual mas no fim as coisas, quem sabe, se organizem e minha cabeça fique menos confusa durante o processo.

A gente aprende com o outro muito mais coisa do que nossa humilde lembrança permite coletar e concluir no imediatismo dos pesos e medidas que temos necessidade de fazer tão logo as coisas acabam de acontecer. 

Hoje foi um top que abriu um pouquinho mais a mente. Amanhã pode ser maior.

quarta-feira, novembro 30, 2016

Buraco da Lacraia, uma Tatuagem no peito

* esse é um texto/carta que tá aqui não com o objetivo de todo mundo ler, já que só envolve duas pessoas - mas pra que daqui muitos anos ele continue existindo. *

Há pouco mais de três anos eu entrava naquele buraco que mesmo com trocadilho uó, não esperava que um dia fosse ser tão embaixo, tão fundo. Tão intenso.

Entrei em uma festa, era festa do povo de cinema. Já fui achando que seria blasé, que seria chata, que o povo ia ficar fazendo pose, que eu ia trabalhar bastante pra que aquilo apenas fosse. E eu tava certa. Mas cheia de ficha de cerveja de graça, ainda que Itaipólvora, podia ir todo mundo embora. Meus amigos foram, um a um, eu não. Seus amigos também, um a um, você não. Eu ali cantando Fagner no Karaokê, blusa de zebra laranja e preta. Cabelos bem longos presos para o alto. Uma franjinha tímida. Você ali embaixo, no balcão, provavelmente de blusa preta. O livro com a lista infinita de músicas nas minhas mãos. Brota você. 

Há pouco tempo esse dia se tornou muitíssimo importante pra mim e mesmo que ele nunca tenha sido importante até então, acho que lembraria por muito tempo de você me dando mole naquele balcão e eu em um ato de susto com seu quase beijo, me esquivando e perguntando se você tava doido. 

Seguimos colegas coniventes daquela noite, afinal, precisava de alguém pra dar cabo de tanta cerveja. E você precisava de uma foto saltando. Um costume, uma tradição, blá blá. Na hora achei bem Q? mas já tinha sacado a câmera, quem sou eu pra julgar?

Dia feito, já era bem de manhã. Um pulo em frente a um caminhão. Foto tirada de primeira. Você mentindo que foi a foto mais foda que já fizeram de você saltando. Eu fingindo que acreditei porque discordar e engatar em mais papo a essa altura seria motivo pra permanecer ainda mais ali naquele buraco que parecia não ter fim. Você na porta com um bico pedindo pelo menos um selinho pra ir embora - isso eu tinha deletado e rolou mesmo! E fico toda toda que você com sua bosta de memória lembre disso. 

Tu perguntando meu whatsapp pra eu enviar a foto. Eu dizendo que não tinha whatsapp mesmo sabendo que você ia achar que é mentira mesmo sendo verdade.  Eu perguntando se tu tinha facebook que mandaria por lá. Você dando seu facebook enfatizando que era com dois G`s. Eu dizendo que ok, mandaria por lá. Você dizendo que eu não mandaria em tom de desafio. Eu desafiando que mandaria em alguns minutos. Eu te mandando em alguns minutos. Você respondendo horas depois que só agora (já era noite) havia chegado em casa de um after que nunca terminou. 

Umas boas semanas seguintes puxando uns assuntos aleatórios. Perguntando qual a boa. Se não ia mais me encontrar por aí. Onde me encontrar por aí. Eu não queria encontrar o playboy pedante que criei baseado em uma vida de buatxis nas redes sociais. E no quase beijo roubado sem meu OK. E naquele corte de cabelo meio sei lá.

Tempos depois o playboy pedante re-reaparece em um janeiro quente e molhado e dá uns sete tapas na imagem rasa e leviana que criei. E também no meu sossego. Ainda bem!

Hoje voltei pela primeira vez no Buraco da Lacraia, depois de todo esse tempo, olhei aquele balcão e veio um turbilhão seguido da pergunta:

Não era playboy, não era pedante, por que caralha não te beijei antes?

<3









quarta-feira, novembro 23, 2016

Engatinhando

Meus olhos famintos engolem cenas casos cores.
A voz ansiosa se destrambelha e vomita o verbo coisar as coisas, coisificados, coisados, coisando tudo.
A palavra escrita ainda é minha maior aliada. Voltei a escrever.

quarta-feira, outubro 26, 2016

Doce cinza

O amor vai circulando junto com as cuecas que passam entre minhas pilhas de roupas limpas. Vem uma preta, vai  uma preta, vem com uma preta, volta com uma preta, larga uma preta na escrivaninha, pega uma preta da gaveta, chega com uma cinza e é quando percebo que esse ciclo existe há meses e eu só saquei agora porque você só usa preto e demorou 8 meses pra deixar uma cinza.

Peguei-a nas duas mãos e naquele ato de fechar os olhos pra sentir melhor, cheirei tão cheirosinho de amaciante: cheiro de amor novinho que carrega por ali pedaço de história.