terça-feira, outubro 28, 2014

Sobre romantismo

Da cozinha enxerguei ele esticado na minha cama. O corredor pareceu tão imenso separando nós dois... Larguei o copo d'água na pia, peguei carreira no corredor que nos separava e dei um salto mortal na cama, em cima dele. O osso da minha canela bateu com toda força na madeira da cama, subindo um galo de imediato enquanto ríamos de amor e eu chorava de dor. Riso e choro. 

O romantismo às vezes tem um preço alto para quem é destrambelhado.

quinta-feira, outubro 23, 2014

Das felicidades máximas:

quando o "murro em ponta de faca" se transforma em "quando o amor vence".

<3

Sobre o próximo domingo

Quando criança, na condição de borboleta, eu ficava posicionada entre o cordão encarnado e o azul do Pastoril vendo aquela disputa lírica, entre gritos, pandeiros e cantorias. No fim, todos se abraçavam e quem vencia mesmo era a Diana e a alegria. 

Domingo é dia de pastoril de gente grande entre encarnados e azuis. E dessa vez não vai sobrar borboleta pra contar história. Salve-se quem puder. Fim.

Das clássicas conversas clássicas

Quem nunca ouviu ou falou algo na diretriz de "você é massa, mas não é você, o problema sou eu", decerto nunca viveu uma aventura desastro-amorosa e, com isso, na minha humilde opinião coronária: tá errado. Tá errado porque é justamente esse diálogo pobre e previsível que nos faz ir em frente e, tempos depois, olhar pra trás e pensar, entre risadas demoníacas, como éramos frouxas, bestas e vulneráveis. Nos preparávamos e sofríamos para o pé na bunda já consciente, onde já se viu uma coisa dessas?

Na hora a gente não sabe se prefere morrer ou matar o(a) infeliz e, na dúvida, a gente se afoga num copo gigante de cerveja que, mesmo gelada, desce rasgando nossas vísceras ferventes, borbulhantes, na busca por dissolver aqueles nós deixados.

Esses nós, minha amiga, costumam demorar pra desatar. Haja tempo e copo de cerveja, de cachaça, de whisky que seja pra colocar cada coração de volta em sua devida caixa. Até lá, muitas lágrimas ainda vão rolar. E sabe-se cristo porque não vais parar de pensar no maldito ser, pelo contrário, pensaras ainda mais, como uma praga. A dor vai se alastrar e só te restará colocar Fagner gemendo deslizes em uma vitrolinha véa. É quando chegamos no inferno de nós mesmos.Escrevemos as mensagens e e-mails mais bizonhos que, espero eu, acabem teus créditos para que não envies. Ou não. De que vale esse diálogo chinfrim sem um dedo na cara apontando em troca pra dar climax ao enredo?

Mas o que a gente não enxerga nesse olho de furacão é que, no fundo, estamos mais próximos da luz do que pensamos. É cafona, mas no fundo do poço tem um trampolim sinistro que nos leva para o alto e avante. E o pior é que a gente sabe, mesmo prometendo morrer no calor da emoção. Não somos tolinhos, já vivemos isso. E vamos acabar vivendo novamente em alguma esquina suculenta e daninha que a gente for dobrar por ai.

Respire e brinque da brincadeira do contente: não fossem esses diálogos do cão, hoje não estaríamos bem. Em uma melhor. De boa na lagoa sentada na mesa do bar, com nosso drinque na mão e um sorriso cínico na cara. Com outro(a) bonitão(ona) do lado ou sozinha, esperando o verão chegar, em paz. Enquanto ele(a), tolinho(a), passa "sem querer", olha, espera o olhar de volta na esperança cegueta de ainda fazer festa e inferno ali e não leva nada em troca, nem mesmo um dedo do meio furioso. Nada, nadica. A troça andou, colega. Só te resta seguir em frente para o diabo que te carregue. E ele há de ser bonzinho.

quarta-feira, outubro 22, 2014

Sobre preconceito

Não respeito quem não gosta de alho e cebola. de muito.

quinta-feira, outubro 16, 2014

Tijuca



Antes de morar no Rio, tirando a Zona Sul de Manoel Carlos, a Tijuca era um  dos poucos lugares que eu tinha conhecimento verbalizado. Tudo bem, confesso que por muito tempo pensei que Tijuca e Barra da Tijuca fossem a mesma coisa, até me questionar como a minha mãe, que não teve uma infância lá muito rica, tenha morado na Barra da Tijuca. Só ai ficou tudo esclarecido. Até hoje acho graça dessa confusão que, depois, descobri ser tão comum entre os não cariocas, como também é o dilema entre Aterro e Praia do Flamengo.

Mamãe, apesar de ter nascido no Rio Comprido, foi criada na Gonzaga Bastos e, desse modo, se considera tijucana. Aquela casa, aquela rua, as brincadeiras, as desilusões, o relógio atrasado pra ficar mais tempo na festa, o lustre que meu tio ameaçava tacar uma bola quando as tias não davam alívio às brincadeiras do pobre garoto virado. Os namoricos, o portão e todas aquelas histórias que adoro ouvir e que ela adora contar.

Cheguei no Rio e, além da Zona Sul do Manoel Carlos, tinha a Tijuca em mente mesmo não indo por aquelas bandas logo no início, pois não havia muito o que ser feito por ali. 

Até que o circulo começou a fechar e a virar uma mini rodinha, uma ciranda ao mesmo tempo pequena e tão grande de mãos dadas nesse bairro hoje, mais que verbalmente, pessoalmente tão querido por mim.

Amigas de trabalho, amigos da vida, primo, todos moradores desse lugar que saiu do imaginário e fotografia pra virar tato, cheiro. É distante. Foi o que pensei na primeira vez que recordo voltar de metrô da casa de Bruno. É, é distante mas é viável e o metrô deixa pertinho de tudo sem muita demora. Ali, a Tijuca criou corpo e tomei dimensão do quão grande ela parecia ser. Tantas ruas, ruas largas, gente por todos os lados, construções, comércios, um mundo que dava um medinho de desbravar e ainda distante da minha realidade.

Até que conheci Gustavo e, muito antes do carinho virar amor, na época em que uma amizade novinha tava existindo sem preocupações e cheia de afinidades, conheci uma Tijuca descolada, longe daquela imagem antiga que permanecia, ainda, na minha cabeça.

Hoje, o bairro é outro em mim. Além da casa dos colegas recém feitos - hoje amigos - além do estilo descolado de novos jovens-classe-média  moradores, o bairro se tornou o coração do Rio de Janeiro. E o Largo da Segunda-Feira, onde meu coração descansa sossegado, também. Tudo faz sentido. As ruas, os ônibus, os trajetos, os mercados, as ruas charmosas que descubro. O hortifruti mais incrível, os bares mais legais, a padaria dos sonhos pertinho de casa, o melhor podrão, os melhores porteiros, as noites mais bonitas. 

Hoje, eu, recifense que só ela, sou também um pouco tijucana. Ando arrastando meu chinelo enquando caminho até o banco, ao mercado, ao metrô mais próximo. Dou o endereço ao taxista, que sai naturalmente e na ponta da lingua, mesmo com uns pileques a mais na cabeça. Sei onde comprar um bom queijo, artigos para festas, rodinhas para geladeira ou uma quentinha baratex.

É bem verdade que ainda me pego perdida por lá, mas se for parar pra pensar, ainda me pego perdida por Recife que é a terra onde vivi por quase toda a minha vida. A tijuca continua sendo grande, mas até os tijucanos acham isso. Antagonicamente, hoje, a Tijuca é pertinho pra mim e, o mais importante, não me amedronta mais, deixou de ser palavra pra virar gente grande e madura e, além do que, possui todo o meu amor.

quarta-feira, outubro 01, 2014

Modelo de prova ou Brincadeira do contente

-Olha, por que você não vira modelo de prova? Super acho que rolaria pra você.
- Por que até hoje eu nem sabia que isso existia. rs

E fui o caminho inteiro do Largo do Machado até em casa, animada que só, com minha possível chance de renda fixa e ainda, quem sabe, umas roupinhas descoladas de brinde. 

Chego em casa, pego a tabela oficial das medidas das modelos de prova que é dividida entre modelo P e modelo M, pego a fita métrica pra ver em qual me enquadro e praticamente tenho meu pescoço enforcado por ela me informando que já era, baby. E já era nos dois lados da tabela. Eu toda errada: busto maior que o necessário para modelo de prova tamanho M e cintura mais fina que o necessário para o P. 

Passado o instante de frustração por não poder concorrer a essas vagas que de$cobri que bombam, vou dormir sabendo que eu não sou o que o povo da moda espera e também que estou pouco me fudendo pra isso mediante a brincadeira do contente mais contente de todas: ver a alegria de Gustavo com minhas medidas despadronizadas para o mundo da moda e, ao mesmo tempo, a favor das mãos e olhos dele. Ai tá valendo, né? Que mané modelo que nada : )

sexta-feira, setembro 26, 2014

Ei...

- Como assim você deixou de conhecer um país a mais pra ir duas vezes no mesmo?
- Deixei de conhecer Portugal, mas conheci um mundo inteiro em uma única pessoa.

Esse diálogo, que aconteceu tem mais de um ano e meio, me deixou encucada com a ideia do outro de que só se cresce por dentro juntando carimbos em um passaporte. Um dia em cada país é melhor que uma semana no mesmo. Eu vejo diferente. Viajar é, sim, uma maneira forte de autoconhecimento, não a tôa voltei outra de um tour tão pequeno por outras terras. Mas entendo que viajar pra outros países e ter a chance de troca com as pessoas sem ser "nas carreiras" é ainda mais explosivo e consistente. 

Eu já sabia disso. Mas na última semana eu aprendi ainda mais. Uma vontade de certeza ainda maior que endoidaria a cabeça de quem não me entendeu em outrora: estive em contato direto com dois mundos inteiros sem que eu precisasse mudar de endereço. 

Eu tava aqui no Rio de Janeiro, lugar em que moro tem alguns anos e que já recebi vários amigos, que já conheci tanta gente, que já perdi pessoas também. E foi justamente aqui, sem precisar de passaporte, identidade ou mesmo uma mochila nas costas pra fazer o caô, que tive a certeza segura mais do que nunca de que tem muito mais mundo em gente do que em locais.

 Nathália e Eriquinha foram as provas vivíssimas de que o mundo pode ser algo maior exatamente onde estamos, naquele mesmo trajeto para casa, no caminho que já estamos acostumados, nas manias que já estamos apegados, nas nossas frases repetidas e nas ações também. Desconstruir é possível. Repensar também. 

Que alegria ter sido preciso a vinda de vocês de férias até o Rio, pra que a gente aprendesse coisas que talvez nem viajando chegassem à mim, a nós (falo nós pois sei que Calani sente a mesma coisa). E que bom que vocês vieram, pra que gente selasse, nesse quarteto fantástico, um amor tão novinho e tão gostoso!

Quero mais cheirinho de alegria, poxa!

terça-feira, setembro 16, 2014

Mulheres de Borracharia

Quando pequena, encucava com as fotos de mulheres e suas bundas estampando as borracharias e oficinas do Recife. Era uma espécie de incômodo. Não entendia porque elas estavam na parede, em forma de papel colorido e trash, mas nunca estavam no local, trabalhando, fazendo de fato parte. Por outro lado, meus pais tinham oficina e também frota de taxi e minha mãe era a maior referência de mulher macho sim senhor que eu tinha notícia.  Entendia de macaco, radiador e correia dentada como ninguém.  E virava uma lapada de aguardente com mais maestria que qualquer homem que eu conheço. E ela sempre esteve no meio dos homens, trabalhando junto, fazendo parte. E era quando eu ficava ainda mais confusa. Achava ela incrível, mas olhava as outras oficinas e só avistava a figura masculina.

O Modelos de Borracharia surgiu em um momento de crise pessoal e profissional: ou criava ou eu explodia. E foi quando decidi explodir em forma de fotografia, colocando pra fora esse meu incômodo de infância. Mais que reproduzir fotos pra estampar uma borracharia, eu quis ocupar esse local masculino e que carrega tantas linguagens não verbais, há tantos anos, com mulheres. Mulheres de todos os tipos. E a interação entre elas, o local e os locais aconteceu de maneira tão orgânica que nem parecia que existe, ainda hoje, essa diferença  entre homem e mulher. Um bocado de garotas pra lá e pra cá de peito de fora, caras e bocas, enquanto o dono da borracharia, nem aí, cochilava de roncar em uma cadeirinha de balanço. 

(All rights reserved ©)


Próximo sábado, 20 de setembro, esse pedacinho de sonho se concretiza em conjunto a uma festa massa! Todo mundo lá!

Rua da Lapa, 245, a partir das 21h.






Controle

Eu sou uma pessoa controladora. Ponto final. 
Não me orgulho, mas saber que sou me ajuda a me controlar pra não controlar. 

Se vejo que uma coisa vai dar errado com o outro, vou lá e aviso que ele esqueceu de fazer algum procedimento para alcançar o sucesso final. Não sou Deus, me refiro a coisas que são mesmo óbvias que passam sem notar na vista acostumada do outro. Mas eu sei que o outro também precisa quebrar a cara pra aprender. E o outro precisa crescer só. E o outro precisa que a casa toque fogo por que esqueceu a torradeira ligada por várias horas. Mas se a casa não pegou fogo, sei que não preciso ligar todos os dias pra lembrar de tirar a torradeira da tomada, do contrário eu que vou torrar com os neurônios da vítima, seja ela quem for. 

Por outro lado, quando largo de mão e a casa pega fogo, me ligam pedindo arrego, pedindo meu controle, pedindo desculpas, pedindo por favor, este arrego que não posso dar porque é errado. Mas já salvei o carnaval de dois amigos próximos que não checaram as datas de seus voos e, por um controle extra meu de precaução, ví que um comprou pra um mês antes, e isso me rendeu de aposta duas caipivodkas do Coelho e o outro, pra um mês depois. E me rendeu a presença da pessoa no carnaval, aliás, dos dois. Também já salvei uma viagem para o exterior por não confiar na cabeça avoada do meu ex amorado. Fui "checar" pagando de chata controladora, voltei como a salvadora da pátria. Isso aconteceu duas vezes em viagem com o mesmo namorado. Detectei as duas. Prova maior do que essa, de que controlar não ensina, não há. Mas acontece que se eu deixasse passar, também sairia prejudicada. 

Acontece que não quero ser salvadora da pátria e nem a chata controladora. Então escolhi ficar na minha. Me roendo algumas vezes em algumas situações, é verdade, mas pra outras, apenas abri mão porque controlar também cansa. Não sou mais a organizadora de viagens e a que passa o release sobre o fim de semana. Abri mão e isso me tirou uns bons quilos de responsabilidade sobre algo que deveria ser apenas lazer: que maravilha que é começar a sexta com os convites chegando por sms, ligações ou facebook no lugar de, na quarta-feira, já estar enviando os convites do que terá pela frente. E que bom ver esses convites e, tantas vezes, apenas recusar porque quero mesmo ficar em casa, de calcinha, vendo filme, tomando cerveja boa e comendo uma comidinha tão gostosa que ele faz. E que bom chegar atrasada, no lugar de ficar esperando ansiosa. Que bom isso tudo acontecer sem que eu me controle para isso. Ao menos no que diz respeito a lazer, to nota dez.

Mas ainda sinto vontade de ligar pra lembrar da torradeira.