sexta-feira, setembro 26, 2014

Ei...

- Como assim você deixou de conhecer um país a mais pra ir duas vezes no mesmo?
- Deixei de conhecer Portugal, mas conheci um mundo inteiro em uma única pessoa.

Esse diálogo, que aconteceu tem mais de um ano e meio, me deixou encucada com a ideia do outro de que só se cresce por dentro juntando carimbos em um passaporte. Um dia em cada país é melhor que uma semana no mesmo. Eu vejo diferente. Viajar é, sim, uma maneira forte de autoconhecimento, não a tôa voltei outra de um tour tão pequeno por outras terras. Mas entendo que viajar pra outros países e ter a chance de troca com as pessoas sem ser "nas carreiras" é ainda mais explosivo e consistente. 

Eu já sabia disso. Mas na última semana eu aprendi ainda mais. Uma vontade de certeza ainda maior que endoidaria a cabeça de quem não me entendeu em outrora: estive em contato direto com dois mundos inteiros sem que eu precisasse mudar de endereço. 

Eu tava aqui no Rio de Janeiro, lugar em que moro tem alguns anos e que já recebi vários amigos, que já conheci tanta gente, que já perdi pessoas também. E foi justamente aqui, sem precisar de passaporte, identidade ou mesmo uma mochila nas costas pra fazer o caô, que tive a certeza segura mais do que nunca de que tem muito mais mundo em gente do que em locais.

 Nathália e Eriquinha foram as provas vivíssimas de que o mundo pode ser algo maior exatamente onde estamos, naquele mesmo trajeto para casa, no caminho que já estamos acostumados, nas manias que já estamos apegados, nas nossas frases repetidas e nas ações também. Desconstruir é possível. Repensar também. 

Que alegria ter sido preciso a vinda de vocês de férias até o Rio, pra que a gente aprendesse coisas que talvez nem viajando chegassem à mim, a nós (falo nós pois sei que Calani sente a mesma coisa). E que bom que vocês vieram, pra que gente selasse, nesse quarteto fantástico, um amor tão novinho e tão gostoso!

Quero mais cheirinho de alegria, poxa!

terça-feira, setembro 16, 2014

Modelos de Borracharia

Quando pequena, encucava com as fotos de mulheres e suas bundas estampando as borracharias e oficinas do Recife. Era uma espécie de incômodo. Não entendia porque elas estavam na parede, em forma de papel colorido e trash, mas nunca estavam no local, trabalhando, fazendo de fato parte. Por outro lado, meus pais tinham oficina e também frota de taxi e minha mãe era a maior referência de mulher macho sim senhor que eu tinha notícia.  Entendia de macaco, radiador e correia dentada como ninguém.  E virava uma lapada de aguardente com mais maestria que qualquer homem que eu conheço. E ela sempre esteve no meio dos homens, trabalhando junto, fazendo parte. E era quando eu ficava ainda mais confusa. Achava ela incrível, mas olhava as outras oficinas e só avistava a figura masculina.

O Modelos de Borracharia surgiu em um momento de crise pessoal e profissional: ou criava ou eu explodia. E foi quando decidi explodir em forma de fotografia, colocando pra fora esse meu incômodo de infância. Mais que reproduzir fotos pra estampar uma borracharia, eu quis ocupar esse local masculino e que carrega tantas linguagens não verbais, há tantos anos, com mulheres. Mulheres de todos os tipos. E a interação entre elas, o local e os locais aconteceu de maneira tão orgânica que nem parecia que existe, ainda hoje, essa diferença  entre homem e mulher. Um bocado de garotas pra lá e pra cá de peito de fora, caras e bocas, enquanto o dono da borracharia, nem aí, cochilava de roncar em uma cadeirinha de balanço. 

(All rights reserved ©)


Próximo sábado, 20 de setembro, esse pedacinho de sonho se concretiza em conjunto a uma festa massa! Todo mundo lá!

Rua da Lapa, 245, a partir das 21h.






Controle

Eu sou uma pessoa controladora. Ponto final. 
Não me orgulho, mas saber que sou me ajuda a me controlar pra não controlar. 

Se vejo que uma coisa vai dar errado com o outro, vou lá e aviso que ele esqueceu de fazer algum procedimento para alcançar o sucesso final. Não sou Deus, me refiro a coisas que são mesmo óbvias que passam sem notar na vista acostumada do outro. Mas eu sei que o outro também precisa quebrar a cara pra aprender. E o outro precisa crescer só. E o outro precisa que a casa toque fogo por que esqueceu a torradeira ligada por várias horas. Mas se a casa não pegou fogo, sei que não preciso ligar todos os dias pra lembrar de tirar a torradeira da tomada, do contrário eu que vou torrar com os neurônios da vítima, seja ela quem for. 

Por outro lado, quando largo de mão e a casa pega fogo, me ligam pedindo arrego, pedindo meu controle, pedindo desculpas, pedindo por favor, este arrego que não posso dar porque é errado. Mas já salvei o carnaval de dois amigos próximos que não checaram as datas de seus voos e, por um controle extra meu de precaução, ví que um comprou pra um mês antes, e isso me rendeu de aposta duas caipivodkas do Coelho e o outro, pra um mês depois. E me rendeu a presença da pessoa no carnaval, aliás, dos dois. Também já salvei uma viagem para o exterior por não confiar na cabeça avoada do meu ex amorado. Fui "checar" pagando de chata controladora, voltei como a salvadora da pátria. Isso aconteceu duas vezes em viagem com o mesmo namorado. Detectei as duas. Prova maior do que essa, de que controlar não ensina, não há. Mas acontece que se eu deixasse passar, também sairia prejudicada. 

Acontece que não quero ser salvadora da pátria e nem a chata controladora. Então escolhi ficar na minha. Me roendo algumas vezes em algumas situações, é verdade, mas pra outras, apenas abri mão porque controlar também cansa. Não sou mais a organizadora de viagens e a que passa o release sobre o fim de semana. Abri mão e isso me tirou uns bons quilos de responsabilidade sobre algo que deveria ser apenas lazer: que maravilha que é começar a sexta com os convites chegando por sms, ligações ou facebook no lugar de, na quarta-feira, já estar enviando os convites do que terá pela frente. E que bom ver esses convites e, tantas vezes, apenas recusar porque quero mesmo ficar em casa, de calcinha, vendo filme, tomando cerveja boa e comendo uma comidinha tão gostosa que ele faz. E que bom chegar atrasada, no lugar de ficar esperando ansiosa. Que bom isso tudo acontecer sem que eu me controle para isso. Ao menos no que diz respeito a lazer, to nota dez.

Mas ainda sinto vontade de ligar pra lembrar da torradeira.

sexta-feira, setembro 12, 2014

To be

De manhã sou bailarina
Pela tarde, borracheira
À noite viro figurinista

Espero que não me falte tempo para apenas: ser.

Dos combinados



É difícil demais dizer quem é minha melhor amiga. 

Por sorte, não tenho mais 14 anos onde essa resposta só podia ser no feminino e necessitava estar na ponta da língua com uma única função: a de aumentar o ego de uma e colocar o da outra amiga concorrente no chão. 

Na vida adulta é outro esquema. Carregamos com a gente quem sobreviveu à essa época de disputas, picuinhas e escolhas decisivas com tão pouco tempo de experiência e também de vida. É também possível que os amigos mais profundos venham depois, já na fase adulta, afinal, ainda estamos vivendo. E, no meu caso, que nem cheguei na metade dessa vida, posso sim ao longo dos próximos anos e também do tempo presente ter novos amigos do peito, como já tenho. Pessoas especialíssimas que choro só de pensar. Conto nos dedos de uma mão os atuais. E depois guardo a mão com cuidado, pra que ninguém veja e fique impressionado com o tamanho do carinho e intimidade de ambos os lados, em um espaço tão curto de anos. 

Mas é lá verdade que os amigos antigos que sobreviveram e atravessaram vivos e ainda com muito amor àquela fase da adolescência escrota, em que ninguém sabe de nada da vida e nem dos quereres, são e serão sempre os principais. Os que levam uma coroa intransferivel na cabeça. Os que nossos pais conhecem e gostam e têm histórias juntos com eles. Os mais luminosos e que sempre que falarmos neles, uma estrelinha vai brilhar mais forte. No céu e nos olhos. 

Samantha é uma dessas pessoas. 

Somos amigas há 10 anos e não quero ser redundante em falar sobre nossa relação, pois já dediquei um texto à ela só pra isso. Apesar dessa loura merecer todos os textos enormes e incríveis do mundo, ela me surpreende. Ela bota abaixo todo o meu blá blá blá. Ela me reponde um e-mail gigante, um mês depois, onde conto até a cor da calcinha que to usando, com um: "Finalmente respondendo!! Você vai tá ai em março? Quero visitar, me avisa pra eu comprar passagem!!! Te amo! xoxo". E essa pequena frase que não responde nem uma pergunta que fiz ou comenta qualquer coisa que eu tenha falado, vinda lá do outro lado do oceano, bate no meu coração e acalanta o bichinho mais forte do que 300 eu te amos, sinceros.

Sim, nosso combinado, como que eu podia esquecer? Prazo máximo pra ficarmos distantes fisicamente é de 2 anos. E, a cada vez, uma vai ao país da outra, ou ao país em que a outra esteja. Ano passado fui eu. Ano que vem é ela. E o combinado se mantém vivo. E comemora um ciclo de 10 anos. Um ciclo cada vez mais forte e bonito. É incrível ver o outro crescer e deixar que o outro te veja também. No reencontro, chorar no ombro toda a saudade. E rir e chorar e rir e chorar todo o amor louco que permeia a relação. Basta o olhar e pronto, tudo foi dito.

Nunca vou cansar de agradecer os irmãos que a vida me deu. E nunca vou cansar de fazer por onde tê-los ao meu lado. 

Vem timbora logo!!!

quinta-feira, setembro 11, 2014

terça-feira, setembro 09, 2014

Consolo

Nas noites separados: te sobra o melhor travesseiro, cruzo a cama com meu corpo,

esse é nosso consolo
e isso
é tão pouco.

Tem muito azul em torno dele

Fico pensando se te acho mais lindo de óculos ou sem óculos e não consigo decidir, indecisa que sou. 

E então fico contente ao me dar conta de que não preciso escolher uma opção, se eu posso ter as duas. E abro um sorriso daqueles que você beija o dente. E me diz que beijou o dente. E eu abro ainda mais largo esse sorriso pra você repetir o beijo nos dentes, dessa vez, sorrindo junto. Eu te amo. Eu te amo tanto que considero um presente te ter de óculos e sem óculos. E de te ter nu dançando na sala. Desse jeito maravilhoso que você criou, sem vergonha, sem roupas, em todos os sentidos possíveis. E eu fico rindo e agradecendo e rindo e pedindo bis. E você se empolga e eu me empolgo e a gente dança juntos, nus, peitos e bilolas balançando até que um dos dois pare, cansado, e fale cheio de satisfação e orgulho que somos muito bobos. 

sexta-feira, setembro 05, 2014

O pior medo é o medinho

Minha vida é meio doida. Não quero com isso dizer que a dos outros não seja, tenho certeza absoluta que sim, afinal, que seria da vida sem essas loucuras todas, né?

Mas quando digo que minha vida é doida, não me refiro à minha história geral de vida, que é, na verdade, bem bonita. Me refiro à rotina do dia-a-dia mesmo. Começa pelo fato de que não tenho um emprego fixo e, com isso, obviamente, não tenho também uma renda certinha todo final de mês. Isso já me assustou mais do que vem me assustado agora, acredito ter aprendido a conviver melhor com isso. E ver o lado bom dessa vida autônoma. Ao menos por enquanto, que não passei perrengue, não me vi lisa e não deixei de fazer nada por causa de dinheiro.(nada do normal, ok?). E não, não ganho mesada. A cerveja do fim de semana e meus pequenos luxos saem diretamente do meu bolso que saem de algum trabalho. Acontece que, mesmo com esse dinheiro no bolso, tem vezes que o trabalho vem, rende um bom cascalho  bons momentos e depois ele vai-se embora, sem pena. E ai eu fico a ver navios. Uns navios aparentemente massa: com tempo, algum dinheiro e sem previsão da próxima aventura. Quando esse tempo é curtinho, é uma beleza! Vou à praia sem culpa, tomo uma cerveja na quinta-feira, viajo no fim de semana. Mas quando o dinheiro, por sorte (mentira, por organização) continua no bolso, mas o trabalho parece tá longe de chegar, dói. (Sempre parece tá longe, afinal, freela chega sem dar muito aviso, meio do nada, meio de um dia para o outro, então, até que chegue, parece tá sempre bem longe). E essa sensação de entre-safra que às vezes demora a passar, dá um vazio infinito. Uma vontade de chorar. De mudar de país, de mundo, de profissão, de renegar os talentos e ir vender brownie. Ou brigadeiro pra ganhar 26 mil reais no mês como li numa matéria dessas que só fazem piorar a cabeça confusa de uma pessoa confusa.

Foco. É o que sempre me dizem quando tô atirando para todos os lados e peço pinico. É o que me digo diariamente ao acordar e gotejar o floral na lingua. Eu e o Brandy, meu novo melhor amigo. E o que seria de mim sem essas gotas de vida diárias que o floral traz? Não sei como vivi 26 anos de vida sem ele, não sei, mesmo.

E ai que pouco tempo atrás tava tudo parado. Tudo no marasmo profissional. Virei, por duas semanas, organizadora de festas: aniversário da minha mãe, aniversário do meu namorado, open house. E eu? Eu tava em tudo isso e com muito amor. Mas, apesar de sempre me delegarem as atividades mais práticas de produção por parecer óbvio que eu sou desenrolada nisso e de fato eu ser, não me basta. Não tenho um botão que alguém aperta pra ligar e aperta novamente pra desligar. Eu tenho meu próprio tempo mesmo sendo a louca do gatilho, tudo pra ontem, pra já. Mas é uma loucura organizada. Só quem pode determinar esse meu tempo, sou eu mesma.

E eis que, nessa semana, tudo aconteceu ao mesmo tempo. Sim, eu já sabia que quase tudo ia acontecer ao mesmo tempo essa semana, mesmo semana passada estando tudo tranquilo. E nada pude fazer pra me ajudar nessa loucura toda, apenas esperar. Um editorial para uma seleção, dois cursos começando no mesmo dia.Um de manhã e um à noite. Dança e audiovisual. E, nesse meio tempo, dedicação total ao meu projeto. E, agora, uns minutinhos pra postar isso antes que eu pire. Por que é difícil sair da aula de dança na Tijuca pensando no texto que preciso escrever do projeto, em casa, e, enquanto escrevo o texto, pensar que ainda não pesquisei sobre o trabalho daquela japonesa fodona que ganhou o oscar como a figurinista mais pica das galáxias. E, enquanto dou o google nela, me lembro que ainda não escolhi a foto do projeto e que preciso decorar duas frases para o exercício teatral da próxima aula no Centro Coreográfico. Agora, por exemplo, estou atrasada. Deveria tá saindo pra ir pra Laranjeiras ficar impressionada com a professora que é sinistra e já me ensiou meia vida em dois dias.

São 17h. Consegui finalizar (quase) tudo. Respiro fundo. Mais 4 gotinhas de brandy pra me salvar. Hora de partir pra aula, mas, antes, vamos fazer a mochila pra pegar estrada amanhã cedo, afinal, ninguém é de ferro, né?

Sem medo. E sem medinho.

quarta-feira, agosto 27, 2014

Reabilitação

Não fumo. Não uso drogas, salvo uma bebidinha aqui e outra ali que, a cada dia, vem reduzindo de quantidade abruptamente. Não se assuste se me vir dançando até o chão em uma festa com uma garrafinha de água nas mãos. Será água, mesmo, sem a ardência da cana. Também não se acanhe se, em uma reunião em casa na qual parei de beber mais cedo que os demais, você me pegue piscando os olhos sentada no sofá, doidinha pra dormir. 

De um modo geral tenho uma vida regrada, raramente saio à noite em dia de semana, mesmo não tendo um emprego fixo, como de tudo, adoro uma saladona, não tenho problema com nem um tipo de tempero, só não gosto de jiló e lingua. E, sim, às vezes exagero no doce e tomo pouca água. Mas tem uma coisa que pode ser pior que tudo isso ai se usado de maneira excessiva: o desperdício de tempo. E isso eu andei praticando muito bem em frente à tela azul do facebook. Quanto mais tempo eu perco, mais continuo perdendo o tempo e quando vi o tempo passou. E passou sem volta e com um dedo apontando na minha cara dizendo: "já era". E quanto mais esse dedo aponta na minha cara, maior a angustia. Pra que? Me pergunto. Por que tantas horas gastas do dia em frente às milhares de informações que serão impossíveis de degustar? No máximo engolir e ter uma indigestão no fim do dia, com tanta coisa ao mesmo tempo, a maioria superficial ou desnecessária. É praticamente uma fofoca que se faz sozinho. Ou pior: entre você e uma tela sem vida e ao mesmo tempo carregando milhares delas, muitas que sequer fazem parte de seu contexto, convívio ou do seu coração. Eu poderia apenas deletar essa rede social, como já fiz em outra época e confesso ter sido uma das melhores coisas virtuais que já fiz na vida: deixar de ser virtual, ao menos por essa rede. Mas nesse mundo de freelancer onde a gente precisa tá sempre correndo atrás da vida, pra que ela não escape ou te esqueça, é impossível, infelizmente. Mas, como pra tudo nessa vida a gente pode contar com o auxílio eficaz do equilíbrio e do bom senso, a partir de hoje fiz um acordo comigo mesma: uma horinha de facebook de dia. E mais uma horinha à noite. Fim de papo. Nada de entradinhas aleatórias durante o correr do dia, que, se somadas, jesus me defenda de saber quanto tempo que gastamos. Fora e-mail, blog e o uso natural do computador para trabalho e pesquisas. Duas horinhas por dia pra ser "jogado fora" tá de bom tamanho e se for parar pra pensar, já é too much. Com o tempo, pretendo passar de 2 horas pra 1h. Mas uma coisa por vez. Já foi mais que provado que querer dar um salto maior que as pernocas é o caminho certeiro para o fracasso. Vamos com calma.

 E,  "só por hoje", até agora, estou no caminho correto para a cura. 1h, nada mais. Os livros inacabados de minha prateleira, meus materiais de estudo de arte moderna, meu cursinho de espanhol, a ementa pra se adiantar no curso de figurinista, minhas madeiras, tintas, pincéis, aquela listinha de afazeres inacabada e também a minha sanidade agradecem. E muito!