domingo, agosto 21, 2016

Sobre o amor e seu trabalho silencioso II

O riso nervoso sobre a tua fala -
Eu te amo
Ama nada



Susto e alívio: você me amando, em voz. Não adorando naquele te adoro que não levo muito a sério porque parece quarta série, não gostando muito que é a frase que sei falar, não doido por mim nas madrugadas em Botafogo: amando. Te amo saindo de sua boca de coração tampada quase que por completa por um bigode não aparado. 

Essas duas palavras mais vastas que um alfabeto inteiro, que inconstitucionalissimamente, que engasgam bem no centro da garganta e causam rebuliço e tremedeira em um ouvido fora de forma. 

Foi pororoca. Rebento. Planctons. 

Acordei. Isso aconteceu. Foi o álcool, foi o momento, foram os astros, errou a palavra, errou a pessoa, falhou no cálculo, era uma música. Quantas desculpas. Criei uma por uma pra te justificar. Te contei. Você já sabia. Era verdade: eu te amo. 

Logo você, quem diria. Segurou na minha mão e foi. Fomos. 2x0 a gente.








quarta-feira, agosto 10, 2016

Sobre o amor e seu trabalho silencioso

A gente vai caminhando sem nem se dar conta enquanto um toque específico, o cheiro, os segredos, a voz e os sorrisos vão trabalhando em silêncio, quem sabe até mangando de nossa cara, e se tornando mais potentes que qualquer palavra amor.



Foto: vidafodona.com

terça-feira, agosto 02, 2016

Dona Rita

Como pode alguém com tanto sofrimento marcado na pele e no peito carregar nos olhinhos apertados, na voz e no toque tamanha doçura?




domingo, julho 24, 2016

Drone

- Fiz uma declaração e você nem ligou 
- Qual?
- Eu não consigo ficar sem você
- aaah consegue sim
- Consigo? Pera ai que eu vou fazer uma foto aérea pra te mostrar 

segunda-feira, julho 11, 2016

Porvir

Quando um pensamento fica tão óbvio, tão óbvio, tão óbvio, quando as portas da mente se abrem e você enxerga onde e o que tava adoecido, atropelado. Quando o clarão mostra o caminho que tá ali na frente e os instrumentos pra que esse andar siga bem, germinando e leve. Quando você entende que o susto foi importante demais mas não precisa durar pra sempre. Quando fica claro, quando vejo eu e vejo tu de veras e não com olhos cíclicos e pré estabelecidos de como eu sou, de como tu és. Quando eu só queria mais que dizer: mostrar. 

A gente fala tanto e é tanta da palavra que parece que ensurdecemos. Fiquei ali surda. Ficamos.

Meus ouvidos se abriram, foi o que me restou. Foi meu aprendizado. Meu coração tá tão espremido que virou garganta e travou. Dói perto do ouvido. Faz pressão por trás dos olhos. Algumas vezes falta um pouco de ar. É uma espécie de sinusite coronária. Esse peito agora só se expande quando junto de lágrimas. Ou de tu. Não me dá paz nem nas horas vagas, vem junto até em sonho. Beber até de manhã pra preencher o vazio só faz ficar mais vazio ainda. Acordo emudecida. Eu só queria te mostrar na prática tudo o que eu vi porque eu sei que você iria ver também. E depois você ia me agradecer com um bocado de beijo, abraço por trás e pipoca com ajinomoto.

Não tem receita no meio do rebuliço que é esse gostar todo de sua parte, de minha parte, mas tem um bocado de simplicidade pra ser trocada não por nossos conflitos pessoais, que vão sempre existir e serem trabalhados, mas pelos conflitos que a gente cria sem necessidade. Umas facilidades que na prática funcionam mais que no discurso. No fundo todo mundo só quer amar e ter paz. É tão óbvio. Eu sabia disso mas não levava na prática, afinal "depois vai dar certo". Uma frase acostumada. Agora eu toco, é palpável, dá pra cortar com uma faca ou recolher com uma colher. Dá pra ser leve e gostosinho sem perder a intensidade.

Bom mesmo seria aprender com o coração aberto e não com a compressão dele feito um arquivo zipado. 

Quero meu coração de volta!

quinta-feira, julho 07, 2016

Um sonho, uma aposta

Sonhei com bonsai e apesar disso só significar que sonhei com bonsai, acordei confabulando. Quando sonho com algo que confabulo, tenho vontade de jogar no bicho. Mas bonsai não é bicho. Imaginei as raízes presas naquele vasinho inibindo o crescimento de uma árvore que tinha tudo pra ser forte, enorme e com uma copa de falar caramba! Imaginei novamente as raízes dentro daquele pequeno vaso de cerâmica dando voltas e mais voltas querendo ser algo que não se pode ser. Voltas e mais voltas que nem uma cobra. Cobra! Joguei no bicho, ganhei. Minha sorte tá virando.

Apanhador só

Na hora de dobrar as roupas pra guardar de um lote que demorou uma vida pra ser lavado, me deparei com essa camisa. Na hora pensei que não era possível estar pegando nela justo agora quando a última vez que usei foi te mostrando contente que você não tava presente na aula mas de alguma forma estaria. Antes de cair na cilada da tristeza, vi que havia uma frase no fundo da camisa que dizia: "antes que tu conte outra" e soltei um riso. 

É sempre bom lembrar que sou privilegiada em ser espirituosa no lugar de amargar.

quarta-feira, julho 06, 2016

O meu sofrer

Um desespero, um desalento, um descontrole. Não guardo sofrimento pra próxima temporada, para o próximo acontecimento. Largo tudo agora. É tanta da lágrima que quase me afogo. Bebo o copo inteiro em uma só golada. Não deixo pra amanhã o que posso chorar agora. Choro hoje e choro amanhã. Libero. Liberto. Choro, choro mais um pouco, me questiono, questiono o outro. Pretendo dormir um dia inteiro, olho minha cara e minha falta de próprio zelo. Choro mais um pouco, vou até o fim do poço e durmo. 

Acordo, transformo lamento em resignação, força e luto: morreu o boi, Inês é morta e é ali a porta.